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Saúde Pandemia

É COVID, mas pode chamar de Casulo.

Quando a borboleta está pronta, rompe o casulo e liberta as asas.

24/12/2020 08h45
Por: Rede Comunica Brasil
É COVID, mas pode chamar de Casulo.

É COVID, mas pode chamar de Casulo.

O isolamento forçado em razão da pandemia pode ser comparado a um casulo emocional. Definhar ou sair dele com novas e reluzentes asas depende de como cada um aproveita esse tempo. 

É unânime entre os estudiosos do comportamento e da mente que a Pandemia é um brake necessário para uma sociedade que vem se perdendo na superficialidade das relações, na busca desenfreada por festas, agitos, encontros e bares… uma forma de escape emocional presente a cada esquina. 

Estamos na geração Tinder da busca pelo amor onde todos querem a mesma coisa e todos se revestem de máscaras. A busca pelo par ideal ou momentâneo, a incapacidade de se conectar com o outro por falta de conexão consigo, gera frustrações em série respondidas com um  “Nem doeu” ou “o importante é curtir”, compondo uma geração de solitários perdidos em meio à multidões ruidosas e aparentemente festivas. 

Os casais que não saíam sozinhos por falta de assunto, aqueles que precisavam sempre de outros para evitar o silêncio a dois em razão de palavras caladas ao longo dos anos, foram obrigados a se confrontar entre quatro paredes. 

“Muito prazer, sou seu filho”. “Muito prazer, sou seu pai”. “Muito prazer, sou você”. 

O isolamento nos desnudou, aumentou o número de deprimidos, suicídios, violência infantil, abuso sexual, agravou o vício pela pornografia e álcool… Mas para muitos foi uma libertação da obrigação de visitar e receber, de representar uma alegria que a sociedade cobra e há tempos não dava prazer, um encontro forçado consigo mesmo e com os sentimentos calados e reprimidos pela velocidade com a qual o mundo girava ao redor. 

Este encontro forçado consigo e/ou com os seus, a solidão, o tempo que se arrasta diante de uma agenda social vazia levou muitos a repensar. Cresceu a busca pelo tratamento mental online, por cursos online, muitos descobriram talentos que não suspeitavam possuir, leram mais livros, revisitaram suas histórias de vida, refletiram sobre interações, aprenderam que existe um mecanismo nas relações humanas que precisa ser aprendido e que só entende aqueles que se conhecem e aprendem a decifrar e a lidar com as humanidades do outro, dos outros, do eu, do indivíduo, dos grupos, do coletivo. 

Enquanto a vacina não chega, as perspectivas são de novo isolamento. 

Os que sobreviverem à COVID sairão após a vacina como mariposas cegas pela luz da liberdade que retorna, perdidas em busca de qualquer lugar para pousar, OU como borboletas prontas para alçar novos voos com asas lustradas e brilhantes que o autoconhecimento construiu, cientes de onde se deve ir para chegar ao lugar em que querem SER e estar. 

O futuro que brotará no futuro nas páginas em branco da sua História de vida é escolha pessoal, você decide.

Torçamos para que a humanidade que renascerá destas cinzas seja mais consciente do seu papel no mundo e de sua destinação à felicidade que vem da auto realização. 



* Míriam Moraes é Psicanalista, jornalista e escritora.

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