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2020: O povo, o fim do mundo e eleições.

Entre pandemia e eleições incomuns, nada mais é o que parecia ser.

21/12/2020 14h23 Atualizada há 2 meses
Por: Rede Comunica Brasil
2020: O povo, o fim do mundo e eleições.

Do dia para a noite fomos obrigados a enfrentar um inimigo que ninguém no mundo estava pronto para combater. Todos os séculos de desenvolvimento medicinal e tecnológico não foram capazes de nos preparar para o que estava por vir.

Com uma letalidade considerável e alta capacidade de contágio, um novo vírus surgiu paralisando o planeta e se aproveitando de todas as coisas das quais o homem se gabava por ter construído para se fortalecer e se espalhar.

Vimos economias estagnarem, pessoas ficarem presas em casa, sem festas, sem viagens, sem reuniões de amigos, sem aglomerações, shows acontecendo a distância, aulas e consultas médicas de modo totalmente online, tivemos que aprender com pressa como aproveitar tudo que podíamos do mundo digital recém desenvolvido, presenciamos um fim do mundo, não o fim literal do planeta terra, mas o fim daquele mundo que conhecíamos até então.

A pandemia trouxe o aumento da extrema pobreza e uma desigualdade social cada vez maior, líderes do mundo todo congelaram incapazes de dar respostas eficazes para o avanço da doença, alguns, como o nosso, se dedicaram a lutar contra todos os tipos de possíveis soluções encontradas pela ciência.

Ainda assim, no meio deste contexto completamente anormal que foram disputadas as eleições municipais no nosso país, regadas como sempre por oportunismos e “boas intenções” que se desfazem com a mesma velocidade que se contam votos.

Claro que não podemos generalizar, mas na prática, o que se percebe é que a mesma política de sempre se mostra cada vez mais incapaz de satisfazer as necessidades do povo, mesmo com todo o esforço de diferentes partidos na disputa. Mesmo com toda a luta de diferentes setores da política para impedir os retrocessos que continuam a avançar.

Cada ano que passa, menos pessoas votam, cada ano que passa maior se torna o número de votos brancos, nulos e abstenções em comparação com o número de votos que conseguem os candidatos eleitos. 

Por quê? Será que isso tem a ver com a incapacidade da classe política, do alto de todos os seus privilégios, de dar respostas efetivas para problemas como o desemprego e a inflação? 

Ficou claro este ano, principalmente durante a pandemia, que as organizações sociais, as organizações estudantis, as centrais das favelas, as ONGs, os coletivos da periferia, os cursinhos populares, todas essas organizações surgidas do povo apenas para satisfazer as necessidades do povo, crescem em maior velocidade que cresce a quantidade de votos dos candidatos bem votados.

E por que as pessoas optam por se organizar em grupos e coletivos com aqueles que se reconhecem ao invés de confiar mais e mais no nosso, fragilizado, estado democrático de direito? Será que isso tem a ver com a solidariedade que apenas o povo pode entregar ao povo?  Será que isso tem a ver com um sistema político feito para excluir o povo da participação, e não incluir?

Será isso um sinal? Será que estamos começando a acreditar que não existe Messias? Um sinal de que o povo está começando a perceber que a salvação só pode vir de nossas próprias mãos? Será que estamos vendo o embrião de novas organizações populares que eventualmente vão se tornar maiores e mais capazes de resolver os problemas do povo que o próprio Estado?

 

As respostas para essas perguntas só o tempo vai trazer, mas se eu pudesse apostar, diria para todos se organizarem com aqueles que se reconhecem, em coletivos, nos bairros, nas favelas, nos trabalhos, nas escolas, em todos os lugares, não para disputar o Estado, mas para ajudar a satisfazer as necessidades da nossa realidade, a realidade do povo trabalhador. Diria para organizarem-se, pois somente o povo pode salvar o povo.

*Leonardo Argollo é acadêmico de Gestão Empresarial na FATEC e presidente do Diretório Central dos estudantes da faculdade.

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