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Brasil GENOCÍDIO NO BRASIL

"A gente gritava 'tão matando o cara' mas continuaram até ele parar de respirar".

George Floyd e João Alberto - Assassinato de cliente negro do Carrefour - Americanos e brasileiros não são racistas, são genocidas.

20/11/2020 18h39
Por: Míriam Moraes
Cliente negro do Carrefour é espancado até a morte.
Cliente negro do Carrefour é espancado até a morte.

 

O assassinato de um cliente negro no Carrefour relembra o caso George Floyd que gerou protestos violentos nos Estados Unidos. Uma discussão corriqueira entre cliente e funcionários do caixa do Supermercado Carrefour na noite de ontem, quinta-feira, terminou em assassinato brutal por espancamento de um homem de 40 anos, João Alberto Silveira de Freitas, na cidade de Porto Alegre (RS). 

Um segurança do supermercado e um policial militar, que fazia compras na loja, agrediram João Alberto a socos e pontapés até a morte diante da esposa da vítima e dezenas de testemunhas. De acordo com o delegado que conduz a investigação, a discussão com o funcionário foi leve e corriqueira, mas João foi arrastado para fora do estabelecimento onde o crime foi cometido enquanto uma mulher, já identificada, filmava a agressão. Segundo um vizinho de João Alberto, que testemunhou o assassinato, pessoas ao redor gritavam e pediam para que as agressões parassem:

"Não pararam. A gente gritava 'tão matando o cara' mas continuaram até ele parar de respirar". 

Paramédicos de uma ambulância do SAMU, que atendeu a ocorrência, tentaram reanimar a vítima no local, mas não obtiveram sucesso. Os dois agressores foram presos no local.

O caso relembra o assassinato do negro George Floyd que resultou em semanas de protestos violentos nos Estados Unidos e em diversos países do mundo. No entanto, o policial Derek Chauvin, que manteve o joelho sobre o pescoço de Floyd, saiu da cadeia 5 meses após o crime, leniência que evidencia o descaso do sistema em casos que envolvem extermínio de negros. 

No Brasil, 75% das mulheres assassinadas são negras. Entre jovens de 15 a 29 anos, a taxa de homicídios de brancos é de 34 a cada 100 mil habitantes. O número é quase três vezes menor que o dos jovens pretos e pardos: são 98,5 assassinatos por 100 mil. Ao mesmo tempo, apenas 1,4% dos magistrados do Brasil são negros, um dado que retrata a exclusão social e as distorções do sistema. 

Até a publicação desta matéria, o presidente Jair Bolsonaro não tinha se manifestado a respeito do caso e o vice-Presidente Mourão declarou:"Para mim não existe racismo no Brasil. Estão tentando importar, mas não existe."

Racismo é uma anomalia que mistura baixa formação cultural e incapacidade pessoal de empatia que resulta em um sentimento negativo em relação aos negros ou na prática de preterir negros em detrimento de brancos nas escolhas pessoais ou profissionais. No Brasil e Estados Unidos os negros não estão sendo somente preteridos, estão sendo assassinados, exterminados. O nome é Genocídio.

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